Parte III

Capítulo Anterior: Android 0.5, Milestone 5 – Interface que… não era interface

Android 0.9, Beta—Isto parece familiar!

Seis meses depois da Milestone 5, em Agosto de 2008, foi lançado o Android 0.9. Enquanto que o Android 0.5 ainda tinha um look “pouco acabado”, o Android 0.9 estava numa fase final de desenvolvimento, o Android 1.0 estava apenas a dois meses de distância. O Android 0.9 foi chamado de “beta.” Do outro lado da barricada, a Apple tinha lançado a segunda versão do iPhone—o iPhone 3G. A segunda versão do iPhone trouxa também a segunda versão do iPhone OS. A Apple tinha acabado de lançar também a App Store e ja estava a aceitar submissão de apps. A Google tinha muito que correr neste momento.

A Google deitou fora muito do que havia sido desenvolvido para o interface na Milestone 5. Todo o artwork foi feito de novo, desta vez a cores, e foram removidos os backrounds dos ícones. Ainda em versão de emulador, a build 0.9 era já muito parecida com a versão lançada do Android. O Android 0.9 tinha um home screen tipo desktop, uma “gaveta de aplicações” decente, múltiplos ecrãs, muitas mais apps, e widgets funcionais.

A Milestone 5 não permitia instalar mais de 21 apps, mas o Android 0.9 tinha uma app drawer de navegação vertical, acessível através de uma tab cinza no fundo do ecrã. Para além de funcionar como um botão, podia ser puxada para cima e acompanhar o movimento do dedo, tal qual o actual painel de notificações superior. Existiam outras aplicações extra, como o Alarme, Calculadora, Musica, Imagens, Mensagens, e Camera.

Esta foi a primeira build a ter um ecrã inicial completamente customizável. Pressionar uma app ou widget permitia move-lo pelo ecrã. Era ainda possível pressionar numa app na “gaveta” e move-lo para o ecrã inicial.

A versão 0.9 fazia lembrar que a  Google não era a perita em design que é hoje em dia. De facto, muito do trabalho de design do Android foi realizado por outras empresas na altura. É possível ver sinais disso mesmo no widget do relógio, que contém o texto “MALMO,” a cidade da empresa de design The Astonishing Tribe.

Existiam apenas 3 widgets: Relógio, Picture frame, e Search. O widget Search nem sequer tinha um icine especifico—usava o mesmo do Picture frame. Talvez o item mais interessante fosse o “Purchased pictures” nas opções do wallpaper—talvez uma das sobras onde era comum comprar wallpapers e ringtones para os telemóveis. A Google não deveria estar a planear vender wallpapers… Ou se estava, nunca passou de um plano.

O ecrã à esquerda, na imagem acima, mostra o widget para o Google Search e imagens. O Search apenas era uma caixa onde era possível escrever, não tinha auto-complete nem outro interface adicional. Ao escrever na caixa e clicar em “Go” simplesmente abria o browser. A linha de ícones no fundo eram atalhos para o menu de “pressão longa”.

Contactos, bookmarks e playlists eram atalhos que era possível adicional ao home screen do 0.9.

“Pastas” era uma opção dos atalhos, embora não fosse atalho para lado nenhum. Uma vez criada uma pasta, era possível arrastar ícones para dentro da mesma, e organiza-los. Ao contrario de hoje, a pasta não mostrava o que estava dentro, era sempre um simples ícone branco.

A 0.9 foi a primeira versão do Android com possibilidade de fazer copy/paste. A pressão longa abria a caixa de texto onde era possível seleccionar as opções. O iOS não suportava copy/paste até quase dois anos mais tarde, por algum tempo, este foi um dos grandes argumentos do Android.

O Android 0.9 começava a mostrar a sua maturidade. O home screen tinha inúmeras opções (embora algumas ainda não funcionassem) e o botão de procura. O design do menu já estava na sua forma final e apenas foi alterado na versão 2.3 do Android.

A pressão longa no botão Home de hardware abria uma grelha 3×2 com as aplicações recentes, algo que ficou até ao Android 3.0.

O Android 0.9 tinha já um lock screen, embora muito básico. O lock screen cinza e preto não tinham qualquer método de desbloqueio no próprio ecrã, sendo necessário recorrer ao botão físico.

Continua…