Parte I

Capítulo Anterior: Introdução

Android 0.5, Milestone 3 – A primeira build pública

Antes de entrarmos no hardware do Universo Android, vamos começar com os primeiros dias do sistema operativo Android. A versão 1.0 foi a primeira a ser lançada em conjunto com hardware, existiram algumas versões emuladas pelo SDK. Estes emuladores foram desenvolvidos apenas para desenvolvimento, por isso não possuíam quaisquer Google Apps, ou até mesmo aplicações nucleares do sistema, mesmo assim ainda são o que de melhor temos em termos de imagens dos primeiros desenvolvimentos.

The emulator’s default qwerty-bar layout running the Milestone 3 build.Antes dos nome dos “doces” que todos nós conhecemos, a primeira versão pública do Android tinha o nome de “m3-rc20a”—”m3” para “Milestone 3” ou 3º Marco significativo. Embora a Google não tenha revelado o numero da versão—e da muild não ter app de definições para poder verificar—o browser identifica-a como “Android 0.5.”

Em Novembro de 2007, dois anos antes de a Google ter adquirido o Android e cinco meses depois do lançamento do iPhone, o Android foi anunciado e lançado o primeiro emulador. Nessa altura o SO estava apenas a dar os primeiros passos e era por muitos considerado apenas mais um “clone do Blackberry OS”.

O emulador replicava um prototipo construído pela HTC, com o suposto nome de código “Sooner” sw acordo com algumas das primeiras contas Android. No entanto o “Sooner” nunca foi lançado no mercado.

De acordo com essas contas existentes nos primeiros dias do Android, quando a Apple lançou o iPhone em Janeiro 2007, a Google teve de começar tudo de novo, o que incluiu destruir o “Sooner”. Considerando que o iPhone havia sido lançado quase um ano antes, a utilização de um emulador à imagem dos Blackberry (a começarem a ser ultrapassados) não deixou muito boa impressão.

From left to right: the home screen, an open notification, and the “apps" folder.Não existia um ecrã inicial configurável nem seque widgets, apenas uma “dock” simples com icones que podiam ser percorridos ou clicados. O touch screen tinha algumas funcionalidades,  mas a Milestone 3 era principalmente controlada com o d-pad—um anacronismo que ainda hoje é usado no mundo Android. Esta versão inicial já tinha ícones “animados” pois era possível ver os ícones aumentar e diminuir ao serem clicados

Não existia painel de notificações ainda. Os ícones de notificação apareciam na barra de estado (onde aparece o smile), e a única maneira de os mostrar era pressionar o d-pad para cima no ecrã inicial. Não era possível clicar no ícone para o abrir nem abrir a notificação em qualquer outro ecrã que não o home. Quando a notificação era aberta aparecia um balão de texto com a informação. Não era possível limpar notificações, uma vez que cada app era responsável por limpar as suas próprias notificações.

Apenas existia uma pasta de “Aplicações” no lado esquerdo da Dock. Embora tivesse algumas funcionalidades, a emulação da Milestone 3 não era muito rica em ícones. “Browser,” “Contacts,” e “Maps” eram as únicas aplicações existentes aqui. Estranhamente as “chamadas recentes” tinham um ícone próprio. Bem, isto era apenas uma emulação, e ícones para funcionalidades padrão estavam em falta, como o alarme, calendário, marcador, calculadora, camera, galeria, e definições. Os protótipos cedidos à imprensa tinham muitos destes icones, e já existia uma suite das Google Apps nesta altura. Infelizmente já não é possível ver nada disto uma vez que já nada está nos servidores da Google.

Milestone 3's menu system in the browser, the wallpaper interface, and the volume control.Clicando no botão Menu era possível ver uma lista de funções, completada com atalhos no teclado. Na imagem acima podemos ver esse mesmo menu no browser. O segundo nível do menu, tornava o primeiro transparente.

Surpreendentemente, o multitasking e as aplicações em segundo plano já funcionavam na Milestone 3. Saindo da aplicação, ela não se fechava. Esta foi uma funcionalidade que o iOS só conseguiu com o lançamento do iOS 4 em 2010, e que realmente mostrava as diferenças entre as duas plataformas. O iOS foi criado para ser uma plataforma fechada, sem apps de terceiros, o foco na robustez era a palavra de ordem. Já o Android foi criado de raiz para ser uma plataforma poderosa, e a facilidade de desenvolvimento de aplicações era um dos seus focos.

Antes do Android, a Google já se tinha movimentado no mercado móvel, com os WAP sites e o J2ME para telefones flip, o que os alertou para a dificuldade de desenvolvimento no mercado móvel. De acordo com o The Atlantic, Larry Page disse acerca dos esforços da empresa no mercado móvel que “tínhamos um armário cheio com mais de 100 telefones, e estávamos a construir software para eles, um de cada vez.” Os programadores actuais queixam-se da Fragmentação do Android, mas o problema era muito pior antes do aparecimento do Sistema Operativo.

The dialer screen that pops up when you press numbers on the home screen, an incoming call, and the call conferencing interface.Embora não tivesse um ícone para o Marcador, o emulador do Milestone 3 tinha uma forma de fazer chamadas. Pressionando qualquer coisa no teclado, fazia aparece uma janela que era um serviço híbrido de marcador e pesquisa de contactos. Introduzindo números e clicando no ícone verde, iniciaria uma chamada, as letras faziam com que fosse possível procurar contactos. Os contactos não eram pesquisáveis pelos números.

As chamadas recebidas abriam um popup quase full screen e, na Milestone 3 já existiam algumas funções avançadas, como o: mute, altifalante, chamada em espera, e chamada em conferência. As múltiplas chamadas apareciam como cartões, nos quais era possível navegar e, caso fosse necessário, juntar chamadas.

The contacts list, an individual contact, editing a contact, and the recent calls screen.Os contactos era apenas uma simples lista de nomes em preto e azul, com o foco de existir XMPP para uma ligação continua aos servidores Google, tal como existe ainda actualmente com o Google Talk, serviços push, e mensagens para instalar ou desinstalar funcionalidades.

The browser’s fake Google homepage, the address bar, and the history interface.O browser era baseado no Webkit 419.3, que o coloca na mesma era do Safari 2 no Mac OS X 10.4. A página inicial não era a Google.com, mas uma página de código home.html incluída no Android. Parecia a página Google.com de muitos anos atrás. A herança do browser OS X era bastante visível, principalmente no design dos botões.

O pequeno ecrã ao estilo BlackBerry necessitava de uma barra de endereço em separado, que era apresentado no menu do browser, na opção “ir para”. O autocomplete ainda não existia, mas o browser mostrava um histórico de todas as nossas pesquisas anteriores. Nesta altura ainda não era possível ter várias páginas abertas, embora a ultima imagem pareça mostrar isso. Apenas era possível navegar em uma única página de cada vez.

A video-screengrab-derived Google Maps Photoshop, the directions interface, and the gallery test view.Desde o inicio que a Google sabia que os mapas seriam importantes nos dispositivos móveis, chegando mesmo a inserir um client Maps no emulador da Milestone 5. Essa versão do Google Maps foi das primeiras a morrer com o encerramento de servidores cloud. Não é possível obter informação dos servidores da Google, por isso o mapa aparece em branco. Nada funciona

A imagem acima é uma imagem registada no video de apresentação do Android. Esta versão do Google Maps parecia estar preparada para dispositivos não touch, com uma lista de teclas de atalho por hardware. Não é certo se tudo funcionava ou se era possível pesquisar endereços nesta altura.

Escondidas no menu estavam funções como a procura, direcções, e satélite e tráfego. O Maps não tinha qualquer integração com GPS, não se vê o botão “my location” em lado nenhum.

Não existia propriamente uma galeria, a imagem acima é uma versão teste, que estava inserida nas”API Demos”. Era possível fazer scroll para a esquerda e direita mas não era possível abrir as imagens. Não existia qualquer gestor de fotos, basicamente era uma versão teste para fazer scroll entre as fotos.

The time picker and calendar, with ridiculous kerning issues, and the vertical list test, featuring Ars.Também não existia aplicação de definições, mas é possível ver a alteração de data e hora graças ás API Demos. isto demonstra o quão cru o Android ainda estava: pequenos bugs por todo o lado, a distancia entre os dígitos dos minutos, o espaço entre os dias da semana não era sempre igual. Era possível modificar os dígitos da hora individualmente mas não era possível modificar o ano ou o mês. Apenas os dias dentro de determinado mês

Temos de ter em conta que tudo isto foi lançado à 10 anos atrás, embora pareça da era pré-histórica. Nos Sistemas Operativos de desktop, a Microsoft estava a tentar vender o Windows Vista à quase um ano, e a Apple tinha acabado de lançar o OS X 10.5 Leopard.

The new emulator skin that comes with Milestone 3, RC37a, which uses a more modern, all-touchscreen style.Meses mais tarde, em Dezembro de 2007, a Google lançou um update para a Milestone 3 numa configuração com mais espaço, num aparelho com uma resolução de 480×320. Esta tinha o nome de “m3-rc37a.” O software era em tudo parecido à anterior versão, mas aqui com muito mais espaço.

Continua…