A Nintendo surpreendeu a todos com sucesso do lançamento do mais novo jogo baseado em suas franquias, Pokémon Go. O game já bateu diversos recordes de métricas analíticas que avaliam popularidade e é notícia que figura em praticamente todos os sites de novidades. A torrente de comentários é tão grande que foi lançada até uma extensão para o navegador que bloqueia as notícias que falam de Pokémon Go. Mas o sucesso também causa efeitos ruins. No caso da Nintendo, o triunfo de Pokémon Go expõe a fragilidade da empresa em competir no ramo de hardware.

As plataformas digitais para games deram um grande salto evolutivo nos últimos tempos, principalmente com a possibilidade de interagir através de detecções de movimentos com o Kinect e Wii. Para o futuro próximo, as principais promessas são baseadas em realidade virtual com Oculus e PlayStation VR. Foi nesse vão que a Nintendo utilizou de sua geniosidade conceitos ainda não muito explorados em games, como a realidade aumentada (AR), que ainda pode ser combinada à VR.

A Nintendo é uma empresa de muita tradição no ramo dos games, mas faz muito tempo que ela não compete de igual para igual para assumir a primeira posição na disputa por consoles mais vendidos em escala mundial. Acontece que com o sucesso de Pokémon Go, a Nintendo deixou bem claro o que ela sabe fazer de melhor: jogos – não consoles.

Franquias, em específico. A Nintendo sempre foi conhecida por franquias fantásticas como Super Mario Bros, The Legend of Zelda, Metroid e Donkey Kong são alguns exemplos. Com personagens carismáticos e enredos envolventes, a Nintendo tinha o domínio sobre a fórmula de como se criar jogos divertidos e entusiasmantes.

Mas quando se trata de consoles a gigante japonesa deixa a desejar. Ela nunca mais obteve o primeiro lugar em vendas desde o fim da era 16 bits com seu Super Nintendo.

Existem, sim, um sucesso relativamente pontual. Especialmente em alguns lugares como o Japão. Mas ela nunca foi tão grande vendendo consoles como é criando jogos.

Com o êxito glorioso de Pokémon Go, as ações da Nintendo subiram mais de 50%. E os analistas podem ter a mesma opinião: está na hora de a Nintendo virar a chave e explorar o que ela sabe fazer de melhor.

E ela precisa compreender que deixar de priorizar o mercado de consoles onde ela não compete bem, para liderar os games não é tão ruim quanto parece. Os consoles geralmente são uma compra muito mais arriscada que os jogos. As pessoas não compram um console de cada fabricante. Geralmente elas escolhem apenas um. Enquanto isso, para cada console, uma pessoa pode comprar diversos títulos diferentes. E a Nintendo tem pleno conhecimento de como o mercado de jogos é valioso.

Talvez nós estajamos presenciando um momento de virada estratégica pela Nintendo. Seria muito bom ver a Big N lançar franquias como Mário Kart para outras plataformas, e o melhor, lucrar mais com isso do que mantendo seu ecossistema fechado. Agradaria tanto nós jogadores quanto aos investidores da gigante japonesa, que possívelmente já perceberam que este é o melhor caminho para a Nintendo.