No dia de ontem (28/9), a Blackberry anunciou que vai terminar o desenvolvimento e produção de smartphones. Com isso, encerra-se uma era simbólica no mundo dos telefones móveis. Relembramos que a marca canadiana chegou a liderar o mercado dos “telefones inteligentes”. blackbpi

Símbolo máximo dos smartphones na época pré-iPhone, os dispositivos da Blackberry ficaram famosos por seu teclado QWERTY, o excelente serviço de e-mail e pela segurança dos servidores, considerados quase inexpugnáveis. Neste aspecto, a empresa dominou durante muito tempo o mercado corporativo, sendo usado, inclusive, por Barack Obama, além de celebridades e e outros.

No entanto, a Blackberry (antes Research in Motion ou, simplesmente RIM) cometeu o pecado capital que afunda qualquer empresa: simplesmente ignoraram a concorrência, desprezando a chegada do iPhone e, logo depois, do Android, recusando-se a evoluir tanto no design, quanto nas funções dos dispositivos. Portanto, ficou parada no tempo, enquanto os seus rivais iam tomando cada vez mais conta do mercado. priv-secure-android

Com tudo isso, a Blackberry ficou cada vez mais relegada à irrelevância, chegando a ter menos de 1% do mercado mundial. Logo, os prejuízos foram se acumulando ano após ano, culminado na desistência da empresa em fabricar smartphones dedicando-se agora à venda de softwares e serviços.

Em comunicado oficial, John Chen, atual CEO da empresa, afirmou que “a nova estratégia da Blackberry, de Soluções de Mobilidade, está a mostrar sinais de impulso (…) No âmbito desta estratégia, vamos concentrar-nos no desenvolvimento de software, incluindo a segurança e aplicações. A empresa planeia encerrar todo o desenvolvimento de hardware interno e vai delegar essa função para os parceiros (mais precisamente a empresa BB Merah Putih, da Indonésia)”.

Nokia, Motorola e Blackberry já foram. Quem será a próxima?

Dominadoras durante a primeira metade da década de 1990 e a boa parte de década passada, Nokia, Motorola e Blackberry são, actualmente, sombras do que foram antigamente. Enquanto a primeira ainda planeia regressar ao mercado, a Motorola, hoje, é apenas uma (ainda popular) marca sob o controle da Lenovo. E a Blackberry…bom, o foco da BB neste momento é sobreviver.nokia-c1-rumor

E agora, a pergunta que os profissionais do mercado mobile – incluindo analistas, jornalistas e afins – fazem é: Quem será a próxima fabricante de smartphones a “abandonar o barco”?

A liderar a “bolsa de apostas”, está neste momento a HTC. Nos últimos anos, trimestre após trimestre, a HTC tem vindo a reportar perdas sucessivas. Nos primeiros meses de 2016 apresentou queda de 64% no volume de vendas, em comparação com 2015. E nos 12 meses do ano passado o cenário também não foi bom: as vendas diminuíram 35% comparado ao mesmo período de 2014.

O curioso é que, ao contrário de Nokia, Blackberry e Motorola, a HTC não parou no tempo e tentou acompanhar a evolução. O problema é que a empresa foi vítima da resistência em abandonar a sua zona de conforto (aliás, esse é o mesmo mal de que sofre a Sony), lançando os chamados smartphones “mais do mesmo” ao longo dos últimos anos. Ou seja, bons aparelhos, mas que não são exactamente baratos e que não apresentam aquela novidade capaz de ser um factor decisivo de compra. htc-nexus-2

Enquanto isso, as fabricantes chinesas descobriram como produzir smartphones bons e baratos, marcas mais consolidadas como a Samsung, Lenovo e LG inovaram e a Apple também ganhou grande popularidade na Ásia nos últimos anos. Resultado: a HTC tem vindo a ser engolida em todos os países em que actua.

Ainda assim, a HTC pretende resistir, pelo menos de acordo com Cher Wang, CEO da empresa. No final de 2015, ela afirmou que a fabricante não desaparecerá do mercado, investindo tanto em novos smartphones, como em produtos como pulseiras inteligentes e óculos de realidade virtual da marca.

O destino da HTC passa por uma empresa que começa com G…

Os actuais rumores do mercado dão conta de que o Google pode comprar a HTC para finalmente dar inicio ao seu projecto de produzir smartphones que tragam 100% do DNA da empresa tanto no hardware, quanto no software. O primeiro passo para isso é a linha Pixel, que será lançada no próximo dia 4 de Outubro.  google-pixel-google-pixel-xl-w782

Os dispositivos em questão – Pixel e Pixel XL – serão apenas montados pela HTC, e não terão o logo da fabricante na carcaça dos smartphones, como aconteceu no primeiro Nexus e também no tablet Nexus 9. Há quem diga que para abrir mão de ter a sua marca no aparelho, a HTC exigiu uma maior fatia dos lucros na venda dos dois modelos. E, considerando que a empresa precisa de dinheiro para se manter competitiva, esse rumor tem grandes probabilidades de ser verdade.

Se a linha Pixel cair na graça do público e as vendas da HTC não melhorarem, será provável que a Google se disponha a comprar a fabricante para dar continuidade à sua divisão de smartphones. É uma empresa com a qual a Big G está familiarizada e, claro, não deverá ser tão cara quanto foi a Motorola, que fora adquirida pela Google em 2011, por US$ 11,5 biliões (e revendida por um quarto do preço à Lenovo em 2014).

Será que a HTC passa de 2016? 

  • eu

    A HTC também foi vitima da assitência que presta aos utilizadores.
    Tinha um HTC com menos de 2 anos, foi para garantia 3 vez porque a bateria não aguentava um dia em stand-by (e sem gps, wifi nem bt ligado). Não encontraram nada de errado. E no apoio ao cliente via chat, ainda disseram que era normal não aguentar um dia em stand-by.
    Lixo desses nunca mais. Adorava ver a fecharem portas.

    • A HTC viveu realmente um periodo complicado. Vamos ver se realmente a Google avança para a aquisição!